Publicação inglesa destaca a soja comprada de áreas desmatadas ilegalmente no Brasil

Por: Giovanni Lorenzon

Na edição digital de ontem (11), a The Economist colocou mais lenha na fogueira da imagem de desmatador do agronegócio brasileiro. A pauta não é nova no próprio veículo, nem novos os nomes de algumas empresas citadas, mas adicionada agora com o pano de fundo da pandemia: as emissões de dióxido carbono cairão no mundo, menos no Brasil.

A publicação inglesa pega, dados da Nature Climate Change que mostra recuo de 7% nesse tipo de poluição, ocasionado pelos bloqueios às economias nesta pandemia, e destaca que a exceção é o Brasil pelo avanço do desmatamento. “Nos primeiros quatro meses de 2020, foram estimados 1.202 km2 na Amazônia brasileira, 55% a mais do que no mesmo período de 2019, que foi o pior ano de uma década”, traz em um trecho da reportagem.

Ao lembrar também do fogaréu que se espalhou pela Amazônia e Cerrado no inverno de 2019 e acentuar as críticas da comunidade internacional ao governo Bolsonaro, “favorável à desregulamentação para permitir a extração de madeira, mineração e agricultura na floresta”, em tom de lamento The Economist completa que “menos atenção foi dada ao papel de grandes empresas”.

Há dias, a ONG Amazon Watch divulgou nomes dos players que estariam comprando gado e soja de fornecedores instalados em áreas desmatadas ilegalmente, todos negando depois publicamente essa participação, ou admitindo que reforçassem seus controles quanto à origem do boi e da soja.

Várias redes supermercadistas europeias disseram que colocariam produtos brasileiros e destas empresas no index.

Para a publicação, o Mato Grosso emerge como o estado com maior participação da origem dos produtos de áreas desmatadas ilegalmente
Empresas e destinos
Na edição desta quarta, a prestigiosa mídia britânica, com forte poder de influência, traz dados e nomes de 2017, no que seria a compra de gado de propriedades desmatadoras, e de 2018, a respeito da soja.

Por ordem de participação na cadeia bovina, apontado em gráfico que ilustra o texto, JBS (JBSS3) 36%, Minerva (BEEF3) 17%, Marfrig (MRFG3) 15% e outros 32%, seriam os exportadores de carne oriunda de zonas que sofreram queimadas. Por destinos, Oriente Médio, e África receberam 36% dessa proteína bovina, a China 34%, a União Europeia (UE) 4% e 11% foram para destinos diversos.

Já no caso da soja, a Bunge teria sido a líder em compras dessa natureza, com 22%, seguida da Amaggi 18%, Cargill 17% e 43% somando várias outras empresas de escala menor. E, claro, o market share da China teria liderado, com 61%, vindo depois UE, Brasil e outros.

Para a publicação, o Mato Grosso emerge como o estado com maior participação da origem dos produtos de áreas desmatadas ilegalmente.

Fonte: Money Times, 12 de junho de 2020.

https://www.moneytimes.com.br/the-economist-diz-que-emissoes-co2-crescem-no-brasil-enquanto-caem-no-mundo-pela-pandemia/