“Nós temos muitos casos relatados de calote de empresas que simplesmente fecham as portas e abandonam o trabalhador. Eles ficam sem trabalho e sem as verbas rescisórias. A contratante não tem a responsabilidade também por aquele trabalhador terceirizado”, diz Patricia Pelatieri, coordenadora de pesquisas do Dieese.
O projeto de lei que tramita no Senado permite a terceirização de todas as atividades das empresas e não de apenas alguns setores, como é hoje.
“Na escola, por exemplo, você tem um serviço de limpeza, você tem cantina, tem um serviço de segurança, mas o negócio da escola é o ensino. Com o projeto, os professores poderiam ser todos terceirizados. Então, quem está recebendo o serviço sempre fica sem ter com quem reclamar”, diz Patricia.
“Depois de a atividade ser terceirizada, o próximo passo vai ser flexibilizar as férias, fracionar décimo terceiro, diminuir adicional noturno, que é o que eles dizem que está obsoleto e ‘trava’ o Brasil”, afirma Luizão.
Para os sindicalistas, a terceirização indiscriminada trará consequências sérias para a economia e o desenvolvimento do país. “Significa que você vai reduzir a massa salarial brasileira em 30%. Isso vai reduzir o consumo das famílias e das pessoas minimamente em 30%. Para um país que precisa que a economia volte a crescer, vamos para o caminho inverso”, afirma Luiz Carlos.

Fonte: Rede Brasil Atual, 05 de julho de 2016.

http://www.redebrasilatual.com.br/trabalho/2016/07/sindicalistas-desafiam-eliseu-padilha-a-defender-terceirizacao-na-porta-de-fabrica-2525.html