Os sindicalistas da CUT e demais centrais começaram a dialogar com os trabalhadores e as trabalhadoras da Volkswagen, em São Bernardo do Campo. Jornada de Lutas segue em outros locais

Por: Érica Aragão:

Os sindicalistas da CUT e demais centrais começaram a dialogar com os trabalhadores e as trabalhadoras da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, na região do ABC, em São Paulo, sobre os efeitos negativos da Medida Provisória nº 905/2019, que cria o Programa Verde e Amarelo, na madrugada nesta terça-feira (10). Eles também foram panfletar e conversar com os trabalhadores da Colgate.

Neste primeiro ato da Jornada de Lutas por Direitos e Empregos, sindicalistas da CUT, Força Sindical, UGT, CTB, CSB, Nova Central, CGTB, Intersindical, Intersindical Instrumento de Luta e Conlutas mostraram para os trabalhadores um panfleto que reproduz o formato de uma carteira de trabalho verde e amarela e explicaram os direitos trabalhistas que o governo de Jair Bolsonaro e o ministro da Economia, Paulo Guedes, pretendem retirar em troca de emprego precário para jovens entre 18 e 29 anos.

O texto do panfleto é claro quando explica que a MP é mais uma nova e dura reforma Trabalhista. A proposta do governo altera mais de 40 dispositivos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), permitindo a redução do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), o parcelamento do 13º e férias, o fim do pagamento das horas extras para o trabalho aos domingos que será liberado para diversas categorias profissionais. E ainda, taxa os desempregados em até 7,5% para isentar os empresários de 34% de encargos trabalhistas.

“Essa MP é um absurdo! Institui o trabalho sem direito nenhum. E sem direito nenhum a gente sabe que é uma escravidão. Essa medida retira todos os direitos da classe trabalhadora conquistados a duras penas”, afirmou o presidente da CUT, Sérgio Nobre, que é metalúrgico do ABC.

Entre as maldades desta MP estão a taxação do desempregado e a desoneração das empresas que vão deixar de pagar cerca de, 34% em alíquotas. As empresas podem demitir os trabalhadores com a carteira de trabalho azul, que tem direitos, para contratar os jovens com carteira verde e amarela, sem direitos, alerta Sérgio.

“Eles [a dupla, Bolsonaro e Guedes] estão dizendo que para gerar emprego tem que tirar direito, mas o que gera emprego é investimento na indústria, na infraestrutura, na construção de portos e estradas, isso que gera emprego. O trabalhador tem que ter renda para poder comprar, porque se ele comprar, a indústria vai ter que produzir e a indústria produzindo geram a economia. Esse é o caminho”, ressaltou o presidente da CUT.
Sérgio, que participou da panfletagem na Volks e dialogou com os trabalhadores e trabalhadoras que desciam dos ônibus fretados para entrar na empresa e cumprir sua jornada no primeiro turno, às 6 horas da manhã, disse que em 120 dias, prazo para MP ser analisado e, votada, é possível que o Congresso Nacional vote a medida e ela se torne lei.

“Nós estamos aqui hoje para denunciar esse ataque aos trabalhadores, mas é importante que cada uma e cada um, que recebeu esse material leiam com atenção e, acima de tudo, nos ajude na luta contra esta medida”.

“É preciso conversar com os deputados e senadores que vocês votaram porque a MP será avaliada e votada no Congresso Nacional, e eu tenho certeza que vocês votaram nestes parlamentares para defenderem seus direitos e não o contrário”, disse o sindicalista.

Para o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Wagner Santana, o Wagnão, medida provisória deveria ser usada em caráter de urgência e não para alterar as relações do trabalho, que deveriam ser discutidas amplamente, principalmente com os trabalhadores e com as trabalhadoras, que são os principais interessados no tema.

“Nós acreditamos que a população desconhece o conteúdo dessa medida e quanto ela afeta e ataca os direitos dos trabalhadores, porque a mídia comercial, que também é uma empresa, não vai falar porque não tem interesse de explicar. E é por isso que a nossa primeira intenção é informar todos e todas com a ajuda desta cartilha em formato de carteira de trabalho que traz uma parte dos direitos retirados com a medida” destacou.

A atividade faz parte da Jornada de Lutas da CUT e demais centrais, que vai acontecer até a sexta-feira (13) em várias regiões do Estado de São Paulo. Nesta quarta-feira (11) os sindicalistas estarão fazendo panfletagem na metalúrgica MWM e em mais 10 fábricas da Zona Sul da cidade.

Diálogo com a população
Nesta terça, sindicalistas de todas as centrais e de várias categorias da região do ABC também fizeram panfletagem e dialogaram com a população que circulava nos terminais de trólebus de São Bernardo do Campo e Diadema, nas estações de trem em Santo André e em Ribeirão Pires e nas praças da região.

Segundo o presidente da Força Sindical, Miguel Torres, a jornada de lutas dos sindicalistas vai conversar também com a população em geral, porque a MP vai impactar os empregados e os desempregados.

“Esta medida, mesmo sendo provisória, vai impactar todo mundo e é sobre isso que estamos falando com a sociedade. A gente precisa dizer que somos contra, mas que também temos uma proposta para que o país volte a crescer com desenvolvimento e esperança para a população. Não dá para deixar que o governo continue tomando estas atitudes que impactam diretamente a vida das pessoas mais simples”, afirmou.

Para o presidente da CUT São Paulo, Douglas Izzo, esta jornada é muito importante para contrapor a versão do governo e também para avançar na luta e conseguir construir uma trincheira efetiva contra as políticas deste governo.

“Estamos dialogando e apresentando de forma detalhada onde esta MP atinge o trabalhador porque o governo distorce ao dizer que é uma medida para gerar emprego, assim como disseram quando aprovaram a reforma Trabalhista e que, como podemos ver, não gerou empregos nenhum, pelo contrário, só precarizou ainda mais a vida do trabalhador”, disse.

Caminhada na Rua Marechal Deodoro, no centro de SBC
Depois de dialogar e panfletar na Volks, os sindicalistas e as sindicalistas esperou outros militantes para caminhar e panfletar na Rua Marechal Deodoro, no centro da cidade.

No percurso, os representantes dos sindicatos da região de todas as centrais dialogaram também com os desempregados e, desempregadas que formavam filas quilométricas ao redor do Centro de Trabalho e Renda (CTR) em busca de oportunidades.

Os lojistas também receberam o panfleto e olhava curiosos os sindicalistas passarem pelas calçadas da rua que é cheia de comércio em SBC.

A atividade foi encerrada na Praça da Matriz, também no centro da cidade, onde os sindicalistas se encontraram com as mulheres trabalhadoras da CUT São Paulo, que se juntaram a jornada.

O presidente do Sindicato dos Bancários do ABC e secretário de Comunicação da CUT São Paulo, Belmiro Moreira, afirmou na praça para as pessoas que passavam a importância da luta contra mais este ataque do governo.

“A CUT e as centrais estão unidas para enfrentar e derrubar esta MP e também estamos na luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras e daqueles e daquelas que se encontram desempregados. A luta é por um Brasil melhor, onde todos tenham direitos, porque direito não se retira se mantém e se amplia. E é por trabalho decente e de qualidade que estamos nessa luta”, conta.

Fonte: Central Única dos Trabalhadores, 10 de dezembro de 2019.

https://www.cut.org.br/noticias/sindicalistas-da-cut-e-centrais-denunciam-fim-de-direitos-com-mp-verde-e-amarela-4b75