De acordo com números do Ministério da Previdência Social, todos os anos são registrados 700 mil acidentes laborais no Brasil. Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o País é o quarto colocado mundial em ocorrências fatais, perdendo apenas para China, Estados Unidos e Rússia. Só no Paraná, em 2013, 423 pessoas morreram em acidentes de trabalho. O impacto financeiro disso é de R$ 70 bilhões anuais na folha da Previdência Social de despesas do Sistema Único de Saúde (SUS).

A pressa, o improviso, a falta de atenção às sinalizações, a não utilização ou o uso inadequado dos equipamentos de proteção individual (EPIs), assim como a falsa crença de que tudo permanece igual dentro da rotina diária deixando de se observar pequenos detalhes, estão entre os principais fatores de risco.
Outro ponto crucial é a cultura de prevenção no Brasil, que apesar de ter evoluído nos últimos anos, ainda precisa amadurecer muito em comparação com outros países, sobretudo da Europa. “Como o nível de conscientização é relativamente baixo, seja na economia formal ou informal, ainda há certa resistência ao uso dos equipamentos, o que não acontece em outros países onde a cultura da prevenção já está arraigada”, aponta Álvaro Marques, técnico em Segurança do Trabalho.

Para Marques, as empresas precisam apostar na educação continuada dos colaboradores, com treinamentos, diálogos nos setores, ações de conscientização e engajamento. “Além de capacitação, modernização de métodos e processos, e estratégias de prevenção de riscos, as empresas podem investir em produtos que, além de assegurar proteção, também garantam conforto. O usuário não pode ter a sensação de uso compulsório e sim compreender que o equipamento de proteção individual vai protegê-lo e transmitir a sensação de bem-estar”, afirma James Lourenço, diretor de uma das maiores empresas produtoras de EPIs da América Latina.

A construção civil é um dos setores com mais incidência de acidentes de trabalho. Em 2012, foram 62 mil acidentes nessa área. “Cem por cento dos acidentes podem ser evitados e isso passa tanto por iniciativa individual quanto conscientização coletiva. As estatísticas são desfavoráveis e sinalizam a importância de uma mobilização de todos em torno do tema – empregadores, trabalhadores, entidades de classe, governo e sociedade em geral. Vale ressaltar que não é só uma questão de reduzir indicadores, estamos falando de proteção e garantia à vida”, ressalta Álvaro Marques. “Houve pouco avanço na legislação ao longo dos anos, mas não podemos deixar de registrar passos importantes como as normas que regulamentaram o trabalho em altura e a voltada às indústrias de processamento de alimentos.”

Fonte: Folha de Londrina, 01 de setembro de 2014.

http://www.folhaweb.com.br/?id_folha=2-1–35-20140901