Ao apresentar as mudanças do substitutivo do projeto em relação à proposta inicial, o palestrante afirmou que a reforma “rebaixa os valores dos benefícios” porque considera a média de todas as contribuições a partir de julho de 1994. “Na proposta do governo não é possível desconsiderar as 20% menores remunerações, levando ao rebaixamento do valor final do salário de benefício”, disse.

Silva apresentou dados que mostram a importância da Previdência nas pequenas cidades brasileiras.  O palestrante fez um comparativo com os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). “De um total de 5.570 municípios, em 4.216 (74,08%) a receita com benefícios previdenciários era superior aos repasses do fundo em 2015. Em 2014, 4.026 municípios (72,28% do total) viviam essa realidade”, exemplificou.

Sobre o envelhecimento da população brasileira, citado pelo governo como mais um motivo para a reforma, o economista rebate a justificativa ao destacar que existem outras formas de resolver a questão do envelhecimento dos brasileiros. Silva lança também outra análise sobre os valores dos benefícios. “A mídia diz que a Previdência é generosa, mas omite que a remuneração dos trabalhadores no Brasil ainda é muito baixa. Mais de 70% dos beneficiários ganham um salário mínimo, e isso tende a aumentar”, alertou.

Ameaças
Sandro Silva explica que a Reforma da Previdência pode estimular a criação de previdências privadas, que, segundo ele, têm lógica diferente ao não se equipararem à proteção que a previdência tradicional proporciona aos trabalhadores. “Haverá a corrosão da confiança na previdência pública, com risco de quebra do pacto entre gerações”, apontou.

As ameaças da PEC, na análise do economista, vão além. Para ele, o mercado de trabalho ficará mais desestruturado, com redução do padrão salarial, ameaçando a evolução das contribuições previdenciárias. “Os mais velhos ficarão por mais tempo no mercado de trabalho e haverá um desincentivo à busca do emprego formal”, ressalta Sandro Silva ao apontar os rurais, trabalhadores na construção civil e limpeza, e empregadas domésticas como os mais atingidos pela reforma.

Fonte: Mundo Sindical, 24 de maio de 2017.

http://www.mundosindical.com.br/Noticias/29042,Segundo-economista-do-DIEESE-a-reforma-da-Previdencia-vai-aumentar-substancialmente-as-desigualdades-no-Pais