“Isso significa que o brasileiro está consumindo não apenas por conta do aumento do crédito ou dos programas sociais, mas que as condições para geração de renda, como educação, acesso a internet e outros ativos, estão melhores”, afirma Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS/FGV) e coordenador do estudo , intitulado “A Nova Classe Média: O Lado Brilhante dos Pobres”.

 

Conceito controverso

O levantamento da FGV divide as classes econômicas de acordo com a renda domiciliar per capita, a partir dos dados da Pnad 2009 divulgados recentemente pelo IBGE, sendo que a classe E começa em R$ 705, a classe D vai de R$ 706 a R$ 1.125, a classe C de R$ 1.126 a R$ 4.854, classe B de R$ 4.855 a R$ 6.329 e a classe A a partir de R$ 6.330.

É importante assinalar que o conceito da FGV é controverso e não corresponde, por exemplo, às concepções marxistas sobre classes sociais, que sobrepõem à renda a posição dos indivíduos frente aos meios de produção, dividindo-os entre proprietários (capitalistas) e não proprietários (classe trabalhadora).

Seja como for, o estudo constata que apenas em 2009 um milhão de pessoas saíram da linha da pobreza e três milhões de pessoas entraram na classe C, vindo, predominantemente, das classes D e E, que diminuíram 3% e 4,3% respectivamente.

 

Maioria

A assim chamada classe média brasileira, ou classe C, chegou a 50,5% da população no Brasil em 2009, segundo o levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que foi baseado nos dados da última Pesquisa Nacional de Amostragem por Domicílio (Pnad). Em 2008, ela representava 49,2% da população.

“Isto significa que a nova classe média brasileira pode decidir uma eleição sozinha e passa a ser a classe com maior número de consumidores”, afirmou Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais (CPS/FGV) e coordenador do estudo A Nova Classe Média: O Lado Brilhante dos Pobres.

Segundo a pesquisa, 29 milhões de pessoas entraram na classe C de 2003 a 2009, um crescimento de 34,3%. A classe A, no entanto, foi a que mais cresceu proporcionalmente no período (40,9%), seguida da classe B (38,5%). Assim, em seis anos, houve uma inversão da proporção entre as classes C, D e E e as classes A e B, que hoje representam praticamente um terço da população.

 

Renda

Em 2009, o crescimento da renda média da população brasileira foi de 2,04%, segundo a Pnad. Foi um ano crítico, em que o Produto Interno Bruto (PIB) decresceu 0,2%. Porém o aumento da renda das pessoas da classe C foi de 7,29% no mesmo período, segundo Neri.

O índice de Gini, que mede a desigualdade de distribuição de renda sendo a igualdade zero e a máxima desigualdade 1, caiu em 2009 e chegou a 0,5448, menor valor registrado desde a década de 1960. Em 2008, o índice Gini no Brasil foi de 0,5486. Segundo Neri, a educação é justamente a variável mais importante para o aumento do potencial de renda. “As pessoas fizeram o dever de casa mesmo quando a economia não estava tão pujante. Ainda é pouco, mas está melhor”, diz.

 

Fonte da notícia: Congresso e foco de 11.09.2010