Nas cidades que adotaram a obrigação de pagar pela licença médica nesse período, os casos de gripe diminuíram cerca de 5% depois que essas leis passaram a vigorar. Para uma cidade com 100 mil habitantes, isso significa que são registrados 100 contágios a menos por semana, estimaram os pesquisadores.

— No ambiente de trabalho, vemos pessoas espirrando, potencialmente contagiosas. É assim que as doenças se espalham — disse Nicolas R. Ziebarth, professor assistente na Universidade Cornell e um dos pesquisadores do estudo.

Para a maioria de nós, ficar na frente do computador sentindo-se mal é uma tortura e não ajuda em nada a recuperação. Mesmo assim, três milhões de pessoas, ou 2% da população dos EUA, levam seu mal-estar para o trabalho a cada semana — um fenômeno que os pesquisadores apelidaram de “assiduidade contagiosa”.

Muitos fazem isso por pressões financeiras; quase um terço dos trabalhadores não tem acesso à licença médica paga, de acordo com o Escritório de Estatísticas de Trabalho dos EUA. Os dois terços restantes, que podem se dar ao luxo de se ausentar por doença, precisam parar de arranjar desculpas para ir trabalhar doente.

Quase metade dos trabalhadores diz que se preocupa com o acúmulo de trabalho se eles faltarem por doença. As pessoas que se sentem comprometidas com seu trabalho também têm dificuldade para ficar em casa, porque acham que trabalhar é mais divertido do que se submeter à realidade de estar doente.

— Algumas pessoas querem aparentar que são duronas e mostrar que são muito trabalhadoras — disse Ziebarth.
Mas esses aplicados trabalhadores não estão apenas demonstrando seu compromisso, eles estão inundando os colegas de germes; os modernos escritórios sem divisórias são um terreno fértil para as doenças contagiosas. E o que é pior, as pessoas tendem a ir ao escritório no início de uma doença, quando o nível de contágio é maior, mas elas ainda se sentem bem o suficiente para trabalhar um pouco.

Os empregadores, por sua vez, deveriam estimular que os funcionários adoentados fiquem em casa. Essa assiduidade — ir para o trabalho doente, independente de a doença ser contagiosa ou não — custa às empresas cerca de US$ 150 bilhões por ano, estimou um estudo.

A produtividade de um trabalhador cai para cerca de um terço quando ele está curvado na cadeira, trabalhando à metade de sua velocidade habitual, dizem os pesquisadores. Se ficar em casa quando estiver doente, ele poderá melhorar mais rápido. E seus colegas de trabalho poderão continuar saudáveis — e completamente produtivos.

Fonte: O Globo, 01 de setembro de 2016.

http://oglobo.globo.com/economia/serio-nao-va-ao-trabalho-quando-voce-estiver-doente-20031974