Para os especialistas, dois fatores são decisivos para o bom desempenho do setor. O primeiro deles está relacionado ao fato de que as cooperativas agropecuárias estão diretamente ligadas a produção de alimentos, aponta Roberto Zurcher, economista da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep). “Apesar do mundo não estar crescendo tão rápido como antes, há uma demanda crescente por alimentos. E mesmo com a crise as pessoas não deixam de consumir”, explica.

Aliado a isso, também pesa a filosofia de trabalho das cooperativas, que prioriza o capital humano. “Ao contrário de uma multinacional, por exemplo, as cooperativas têm um forte compromisso regional. Isso acaba motivando um esforço extra para manter a geração de empregos”, salienta Júlio Suzuki, diretor-presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

Para quem comanda esses empreendimentos bilionários, a manutenção do crescimento, mesmo em época de crise, tem ligação direta com a organização da cadeia produtiva, que prioriza a coletividade. “Um país só é desenvolvido quando a sociedade é organizada. As cooperativas são organizadas e alinhadas com as necessidades dos produtores e dos consumidores. Esse ponto é essencial para o sucesso de qualquer negócio”, destaca Frans Borg, presidente da Castrolanda, cooperativa instalada em Castro, nos Campos Gerais, que na semana passada, ao lado da Frísia e Capal, inaugurou uma Unidade Industrial de Carne, gerando mais 750 empregos para região.

Assim, mais do que ganho econômico, também há forte impacto para a sociedade que convive com as cooperativas. “Os ganhos sociais são incalculáveis. A chegada de uma indústria impacta no setor de transporte, combustíveis, moradia, consumo, entre outros”, ressalta Renato Greidanus, presidente da Frísia, de Carambeí. “O cooperativismo é uma vocação do Paraná. Sem esse modelo teríamos muito menos empregos ligados ao campo”, complementa Zurcher, da Fiep.

Novas indústrias de cooperativas “consomem” vagas
Igor Castanho
O planejamento estratégico das cooperativas dos Paraná tem se sobressaído à crise que assola a economia nacional. O setor segue inaugurando indústrias em várias partes do estado e, consequentemente, movimentando os bancos de vagas das empresas de recursos humanos. Para os próximos anos, mais de 6 mil novos empregos diretos serão abertos.

Na semana passada, as cooperativas dos Campos Gerais – Castrolanda, Frísia e Capal – inauguraram a unidade industrial de carne Alegra Foods. Nesta primeira etapa, a indústria demanda 750 funcionários para processar 2,3 mil suínos/dia e 1,8 mil toneladas de industrializados/mês. Com o plano de dobrar a produção até 2019, mais vagas de empregos serão abertas.

“Uma indústria que se instala atrai gente de outras regiões, pois o pessoal sabe que as cooperativas oferecem muitos benefícios para os funcionários”, explica Ivonei Durigan, superintendente da Alegra Foods, que exporta seus produtos para 14 países e negocia com China, Rússia e Cingapura.

“As cooperativas investiram no momento certo. Além disso, precisamos focar no mercado internacional para equilibrar as contas”, explica o superintendente da Alegra Foods, Ivonei Durigan.

No outro lado do estado, em Assis Chateaubriand, a Frimesa – cooperativa central que pertence a Copagril, Lar, C. Vale, Copacol e Primato – está construindo o que será o maior frigorífico para abate e processamento de suínos do país. A promessa é de 2 mil empregos logo na inauguração e outros 3,5 mil em uma segunda etapa. Além disso, a previsão é que a unidade gere outros 8,5 mil postos indiretos em toda a cadeia produtiva.

Ali perto, a Coopavel investe R$ 59 milhões para viabilizar a nova unidade produtora de leitões (UPL) em Cascavel. Com a conclusão prevista para 2017, 150 empregos serão abertos.

“Claro que [as cooperativas] têm à disposição uma grana um pouco mais barata para investir. Mas o pessoal que comanda as cooperativas se qualificou, adquiriu visões empresarial e estratégica. Quando necessário, por conta de fatores externos, existe o reposicionamento para continuar crescendo. Eles investem pesado no gerenciamento”, admite o secretário de agricultura do Paraná, Norberto Ortigara. (IC)

Fonte: Gazeta do Povo, 27 de outubro de 2015.

http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/agricultura/onde-a-crise-nao-tem-vez-5vnan7ga6gdfizbksmuv0wur9