Dirigentes denunciam JBS e BRF por doenças e exploração dos trabalhadores de frigoríficos

Por: Érica Aragão e Vanessa Ramos 16/10/15 – 19:42

Seis mil pessoas marcham contra modelo de agronegócio no Brasil

Trabalhadores do campo e da cidade foram à Avenida Paulista nesta sexta-feira (16) para protestar contra o modelo de agronegócio brasileiro, a exploração das empresas frigoríficas e em defesa da Petrobras. Segundo a organização, o ato reuniu seis mil pessoas.

Diferentes movimentos centraram fogo na JBS, maior produtora de carnes do mundo e com alto faturamento no país. Criticada por irregularidades trabalhistas, mutilações, lesões e superexploração dos empregados, a empresa é também alvo do Ministério Público do Trabalho.

A manifestação começou no vão livre do Museu de Artes de São Paulo (Masp), com marcha pelo prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), da Gazeta e da Petrobras.  

A marcha de hoje encerra o  1º Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores, realizado nesta semana em São Bernardo do Campo (SP), que contou com a presença de movimentos sindicais e sociais, da presidenta Dilma Rousseff e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Da direção nacional do MPA, Romário Rosseto reforçou o propósito da marcha em defesa da classe trabalhadora. “Denunciamos a verdadeira mutilação dos trabalhadores porque a vida útil de um trabalhador de frigorífero é de 12 a 15 anos e depois não consegue mais ter força no braço, pelo movimento repetitivo, nem para escovar os dentes”, afirmou. 

O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação (Contac), Siderlei de Oliveira, repudiou a JBS, detentora das marcas Friboi e Seara. “A empresa bonitinha da televisão, não é a empresa real dos trabalhadores do campo, nem dos trabalhadores na fábrica. Esperamos que a população entenda porque ela vive de propaganda enganosa. Essa empresa é opressora” ressaltou durante a marcha.

Para Romário, as doenças ocupacionais acabam com vidas, a exemplo do que faz a BRF, considerada uma das ‘melhores’ empresas de agronegócio do país. “Eles são jogados nas filas do SUS [Sistema Único de Trabalho] para que o governo resolva esse problema. Porque para essas empresas, o que interessa é acumular capital, com financiamento público do BNDS [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social]”.
Uma das coordenadoras nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Kelly Mafort, lembrou que existem 120 mil famílias acampadas no Brasil hoje, muito por conta da pressão do agronegócio. 

“É preciso denunciar para a sociedade que não há reforma agrária por causa do poder do agronegócio, do mineralnegócio e do hidronegócio. Os camponeses sentem na prática o que as empresas representam. Não vamos admitir que o campo se torne um mercado de commodities agrícolas, minerais e ambientais”, afirmou.

Sobre o modelo de agronegócio, a coordenadora nacional do Levante Popular da Juventude, Jessy Dayane Santos destacou que o povo brasileiro deve decidir sobre o que come.

“Queremos consumir alimentos saudáveis e não alimentos cheios de veneno. Mesmo os orgânicos que estão no supermercado e são mais caros que o comum, não é confiável porque a partir do momento que você contamina o solo, demoram muitos anos para que a terra seja recuperada”, protestou.

Um alerta sobre o impacto dos agrotóxicos na saúde, publicado em abril deste ano, aponta que 70% dos alimentos in natura consumidos no país estão contaminados por agrotóxicos.

Durante a marcha, os movimentos também criticaram o monopólio midiático e fizeram a defesa da soberania da Petrobras.
 
Sobre o I Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA)
Pequenos agricultores de 19 estados brasileiros estiveram reunidos em São Bernardo do Campo para participar do I Congresso Nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), cujo tema é “Plano Camponês, Aliança Camponesa e Operária por Soberania Alimentar”.

O evento, que promove o debate sobre a aliança entre os trabalhadores do campo e da cidade e a importância da agricultura orgânica contou com a presença de várias autoridades como o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro do desenvolvimento agrário, Patrus Ananias e a presidenta Dilma Rousseff.

Fonte: Central Única dos Trabalhadores, 16 de outubro de 2015.

http://www.cut.org.br/noticias/movimentos-marcham-contra-modelo-de-agronegocio-no-brasil-6762/