O motorista de ônibus da região metropolitana, Ricardo Scamila, de 44 anos, que teve cerca de 30% do seu corpo queimado por dois homens na noite de quinta-feira (6), em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba, sofreu o atentado depois de tentar evitar o confronto de bandidos com o cobrador do ônibus. Esta versão foi apresentada a diretores da empresa Auto Viação São José pela própria vítima, no instante em que era socorrida, ainda consciente.

“Tão logo tenha condições, vamos ouvir Scamila e levantar mais detalhes que auxiliem nas investigações”, disse o delegado Osmar Dechiche, responsável pelo caso. Até o fim da tarde desta sexta-feira (7), a vítima continuava internada em estado grave no Hospital Evangélico de Curitiba.

Por volta das 22 horas de quinta-feira, o ônibus, que fazia a linha Pedro Moro, estava estacionado na Rua Silvio Pinto Ribeiro, logo após o ponto final, no bairro Quississana. De acordo com as investigações, o cobrador do ônibus, Nilton Bueno Gonçalves, de 46 anos, conhecido como Abutre, teria descido do veículo e conversado por alguns minutos com dois homens, que estavam em uma motocicleta.

No entanto, o cobrador teria se desentendido com os dois homens, que estavam armados. Scamila, que é sargento aposentado da Polícia Militar (PM), desceu do ônibus para impedir a briga, mas um dos bandidos apontou a arma contra o rosto do motorista e ordenou que ele se ajoelhasse. “Mas Scamila não obedeceu e iniciou uma luta corporal com o homem. O outro bandido veio com uma garrafa pet, despejou líquido inflamável no corpo do motorista e ateou fogo. Posteriormente, eles puseram fogo no veículo para parecer um ato de vandalismo”, disse o delegado.

Na tarde desta sexta, a polícia ouviu o cobrador, que negou conhecer a dupla que cometeu o atentado e refutou a versão de que teria se desentendido com eles. Segundo a versão apresentada por Abutre, os dois incendiaram o ônibus e, Scamila, quando descia do veículo, teria esbarrado em um deles, que ateou fogo contra o motorista.

“A versão do cobrador é bastante contraditória e não condiz com o depoimento de testemunhas”, afirmou o delegado. Dechiche informou que o cobrador permanece na condição de investigado e acrescentou que ele já tem passagem pela polícia por receptação.

A Viação São José lamentou o ocorrido e informou que está dando o apoio necessário à vítima. Segundo o responsável pela área de tráfego, Antonio Celso, a empresa não recebeu nenhuma ameaça e não tem ciência de algum fato que possa estar relacionado às motivações do crime. “Para a gente não chegou nada. Estamos aguardando a conclusão das investigações e estamos à disposição para contribuir com os trabalhos da polícia”, disse.