“Vamos criar uma mobilização que abranja lideranças políticas e também entidades da sociedade para proteger o que construímos”, afirmou o maranhense Flávio Dino (PC do B), um dos signatários.
Por enquanto, até mesmo governadores tucanos preferem manter distanciamento da crise em Brasília.
Beto Richa (PSDB), do Paraná, disse que, hoje, “ninguém é a favor ou tem o prazer de defender o afastamento” de Dilma. “Até porque somos democráticos e respeitamos os resultados das urnas.”
Reinaldo Azambuja (PSDB), do Mato Grosso do Sul, diz que aguardará encontro com colegas de partido para abordar o assunto publicamente.
Embora cauteloso, o paulista Geraldo Alckmin (PSDB) tem subido o tom com relação ao afastamento da presidente. O tucano tem ressaltado que é preciso seguir o rito legal, mas salienta que “impeachment não é golpe”. O governador tem ponderado que, uma vez deflagrado, o desfecho de um pedido de afastamento é imprevisível.
Em conversa recente, ele rememorou o processo que resultou na queda do ex-presidente Fernando Collor – na época, Alckmin era deputado federal. Contou que, às vésperas do início da tramitação do pedido de impeachment, Collor patrocinou um encontro com centenas de parlamentares, para demonstrar força. “Trinta dias depois ele caiu”.
Aos aliados no Congresso, o governador tem reclamado da postura do senador Aécio Neves (MG), presidente nacional do partido, rival interno do paulista na corrida pela candidatura ao Planalto em 2018 e defensor do impeachment. Alckmin manifesta irritação com o fato de que Aécio não consulta correligionário antes de se posicionar.

PONTE
Um ponto comum entre apoiadores de Dilma e os que preferem se abster foi à crítica ao ambiente político no país e seus efeitos sobre a recuperação da economia.
“A política deixou de ser um elemento que resolve problemas para ser um elemento que cria problemas na sociedade”, disse Simão Jatene (PSDB-PA), acrescentando que o processo de impeachment em si “não deve assustar ninguém.”
 
O único governador desde já contra Dilma foi Pedro Taques, de Mato Grosso. “O Brasil está parado”, justificou. 

Fonte: Folha de São Paulo, 07 de dezembro de 2015.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/12/1715761-maioria-dos-governadores-e-contra-o-impeachment-de-dilma.shtml