A receita líquida foi de R$ 22,3 bilhões, crescimento de 29,6% na comparação anual.

A Marfrig anunciou nesta terça-feira (3) que teve lucro líquido de R$ 109 milhões no primeiro trimestre, queda de 61% ano a ano, pressionado por aporte na BRF, enquanto o resultado operacional foi recorte para o período.

Líder global em produção de hambúrgueres, a empresa acompanhou um follow-on da BRF neste ano e manteve sua fatia de 33,27% na processadora de aves e suínos, o que representou um novo investimento de R$ 1,8 bilhão em novas ações.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado consolidado pela Marfrig alcançou R$ 2,75 bilhões no trimestre, um salto de 60,9% ante igual período de 2021.

A receita líquida foi de R$ 22,3 bilhões, crescimento de 29,6% na comparação anual.

“Tivemos o melhor primeiro trimestre operacional da Marfrig… O lucro teve efeito da marcação a mercado de investimentos na BRF”, disse a jornalistas o vice-presidente de finanças e relações com investidores, Tang David, em videoconferência.

O índice de alavancagem, medido pela relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado nos últimos 12 meses, atingiu 1,53 vezes em dólares e 1,36 vezes em reais, considerado pela empresa um baixo patamar de endividamento.

A operação América do Norte representou 71% da receita líquida total, com R$ 15,8 bilhões. O Ebitda ajustado foi de R$ 2,3 bilhões, 63,4% superior na comparação anual, representando 87% do Ebitda total da companhia no trimestre.

“A performance resulta do incremento de 26,9% no preço médio total e do crescimento de 2,9% no volume de vendas no período. O lucro bruto da operação no trimestre foi de R$ 2,8 bilhões, alta de 59,5% na comparação anual”, disse a empresa.

“A demanda do mercado norte-americano segue forte e o cenário é de aumento do preço também no mercado internacional”, disse o presidente da operação América do Norte da Marfrig, Tim Klein.

Além dos resultados robustos na unidade norte-americana, houve crescimento expressivo foi registrado na América do Sul, puxado pela avidez na demanda chinesa principalmente para a carne bovina do Brasil.

“Tivemos o ano de 2022 começando muito diferente do que foi 2021, tri contra tri… quando voltamos a exportar para a China, a exportação pegou o primeiro trimestre em cheio”, disse o presidente da companhia na América do Sul, Miguel Gularte.

Em 2021, a China suspendeu temporariamente os embarques da proteína brasileira, por dois casos atípica, da doença vaca louca, e o retorno das vendas ocorreu em dezembro de 2021.
Neste cenário, a Marfrig teve receita líquida de R$ 6,5 bilhões na América do Sul, avanço de 41,2% na comparação anual.

“O desempenho é consequência do maior preço médio total de vendas em 27,2%. Destaque para o aumento do preço médio de exportações, que, mesmo medido em dólares, avançou 37,1% entre os períodos.”

As exportações representaram 65% da receita da operação, nível recorde da operação. Nos três primeiros meses de 2022, aproximadamente 68% do total das receitas de exportação estavam ligadas às vendas para os mercados da China e de Hong Kong.

Agora, Gularte disse que as novas restrições para conter a disseminação do coronavírus na China não estão afetando a empresa significativamente. “Hoje não temos nenhum atraso logístico pelos lockdowns”, afirmou.

Sobre uma planta que foi suspensa pelas autoridades sanitárias chinesas, ele afirmou que se trata de um procedimento protocolar devido a uma inspeção rigorosa contra a Covid-19 e que, realizados os procedimentos de desinfecção na unidade, os embarques retornam em sete dias automaticamente.

Fonte: G1/Economia, 03 de maio de 2022.

https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/05/03/lucro-da-marfrig-cai-61percent-no-1o-trimestre-com-aporte-na-brf-resultado-operacional-e-recorde.ghtml