Irregularidades foram apontadas na Operação Persona, que investigou a Cisco e a distribuidora Mude em 2007; José Roberto Pernomian Rodrigues era sócio da Mude e hoje é vice-presidente da BRF.

Por: Marta Cavallini e Marina Gazzoni – 02/08/2017 – 13h39  

Uma decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em São Paulo, condenou o executivo José Roberto Pernomian Rodrigues, vice-presidente de Integridade Corporativa da BRF, à pena de cinco anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. Rodrigues é considerado nome de confiança de Abílio Diniz, atualmente presidente do Conselho de Administração da BRF.
Rodrigues foi condenado por cometer fraudes em importação de equipamentos eletrônicos quando era diretor da Mude, representante da norte-americana Cisco no Brasil. Além de Rodrigues, também foram condenados outros cinco executivos:
Fernando Machado Grecco; Marcelo Naoki Ikeda; Marcílio Palhares Lemos; Moacyr Alvaro Sampaio; Reinaldo de Paiva Grillo.
O advogado Antonio Ruiz Filho, que representa cinco réus no processo, disse que entrou com um recurso contra a decisão nesta quarta-feira (2). Ele esclareceu que a decisão do TRF julgou um embargo infringente, apelação que pode ser feita quando não há decisão unânime entre os desembargadores. Ainda cabe, segundo ele, o embargo de declaração, que foi solicitado.
Ele esclareceu ainda que “não foi expedida nenhuma ordem de prisão” contra seus clientes e que está “esperançoso” de que a decisão poderá ser revertida.
O G1 entrou em contato com a defesa de Reinaldo de Paiva Grillo e aguarda posicionamento.
Em comunicado, a BRF disse que “sempre teve conhecimento da situação do José Roberto, a qual não gera impedimento para sua atuação como administrador. A companhia entende que se trata de um caso que diz respeito à pessoa do José Roberto e concerne a fatos ocorridos há mais de 10 anos, os quais não se relacionam às suas atividades atuais, nem interferem no trabalho dele na BRF”.
A empresa afirmou também que, se for necessário, “tomará as providências cabíveis no melhor interesse dos seus negócios, nos termos da legislação e de seus políticas e normas internas.”

Operação Persona
As investigações começaram em outubro de 2007 durante a Operação Persona, da Polícia Federal, Receita e Ministério Público Federal de São Paulo, que apurou a atuação das empresas Cisco e Mude na montagem de uma cadeia de empresas nos EUA e Brasil para prática de fraudes no comércio exterior.
De acordo com a Receita Federal, o esquema teria levado à sonegação de R$ 1,5 bilhão em impostos à época. Rodrigues chegou a ser preso, mas foi solto em dezembro de 2007 por determinação da 4ª Vara Criminal de SP. Ele continuou como réu no processo.
Rodrigues foi condenado em 2011 pela 4ª Vara Federal de São Paulo e recorreu. Na sentença, o desembargador Nino Toldo manteve a condenação, mas mudou o regime de cumprimento da pena para o semiaberto.
Ele poderá trabalhar de dia, mas terá que dormir na prisão. A sentença não é final e há possibilidade de recurso.

Operação Carne Fraca
Em março, durante a Operação Carne Fraca, a Justiça Federal de Curitiba expediu mandato de condução coercitiva contra Rodrigues. A PF chegou a pedir o afastamento do executivo da vice-presidência da BRF, argumentando que ele usava suas funções para atrapalhar a continuidade das diligências e constranger testemunhas. O pedido foi negado pela Justiça.

Fonte: G1/Economia, 02 de agosto de 2017.

http://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/justica-condena-executivo-da-brf-e-mais-5-por-fraude-em-importacoes.ghtml