Esse é o motor da agroindustrialização, fenômeno acelerado na década de 90 no Paraná. Dentro dessa tendência, a renda do setor de transformação teria superado a do setor primário em regiões como Toledo, onde se concentram indústrias da carne de frango, de suíno e a da soja. O quadro é semelhante nos Campos Gerais, polo moageiro da soja e da indústria do leite.

É consenso entre os analistas que Mato Grosso pode passar de vez o Paraná na produção de grãos dentro de cinco anos. A área total da agricultura paranaense é estimada em 6,7 milhões de hectares. No estado do Centro-Oeste, explora-se perto de 1,5 milhão de hectares a mais atualmente e ainda há espaço livre. “No Paraná, não temos mais área para avançar muito”, afirma o diretor do Departamento de Economia Rural (Deral) paranaense, Francisco Simioni.

Por outro lado, será difícil Mato Grosso alcançar o estágio de agroindustrialização do Paraná, se é que algum dia isso vá ocorrer, aponta o especialista em conjuntura econômica Júlio Suzuki, pesquisador do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes).

“O Paraná pode até ampliar sua área de soja ou de milho, mas dentro da relação de competição entre as principais culturas, que agora incluem cana-de-açúcar e reflorestamento”, avalia. Suzuki considera que é praticamente impossível dissociar a renda do setor primário da aferida pelo secundário (indústria) e o terciário (serviços).

A participação da agricultura e da pecuária no Produto Interno Bruto (PIB) se mantém em 8% num quadro de crescimento em todos os setores, observa. Em sua avaliação, os produtos primários devem perder participação ao longo do tempo, com avanço do setor de serviços “à medida que o agronegócio ganha complexidade”.

Em Toledo, a marca de R$ 1 bilhão atingida no valor bruto da produção – maior valor individual no estado – deve-se 33% à suinocultura, 32% à avicultura e 26% aos grãos. Na suinocultura e na avicultura, estão embutidos valores aferidos pelas indústrias.

O que determinou o perfil agroindustrial do Paraná foram as cooperativas, dizem os analistas. O setor tem destinado R$ 1 bilhão ao ano para investimentos – 4% do faturamento. Perto de 60% desse dinheiro vai para a ampliação ou criação de agroindústrias. Ano passado, a indústria da carne de frango ficou com mais de R$ 200 milhões, a maior participação. Em seguida, plantas para transformação de cereais receberam R$ 105 milhões. Houve investimento ainda em indústrias de carne suína, cana, café, frutas e ração. Itens como carne de frango e suco de laranja estão entre os produtos mais exportados pelas cooperativas, superando temporariamente a soja em grão em parte do ano.

Fonte: Gazeta do Povo