Ao todo, 477 empregados do frigorífico Peccin Agro Industrial foram demitidos; eles trabalhavam nas plantas de Curitiba, no Paraná; e de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina

28/03/17 | 17h37

Além de armazenamento inadequado, o Peccin também usava, segundo a PF, componente químico para disfarçar odores e características de carne podre.

Cerca de 300 funcionários da unidade da empresa de carnes Peccin, em Curitiba, receberam aviso prévio nesta terça-feira (28), de acordo com o Stimalcs, sindicato que representa a categoria. Segundo Juarez Adão Couto, presidente da entidade, o frigorífico – um dos quatro interditados pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária – alegou problemas com o bloqueio financeiro determinado pela 14ª Vara da Justiça Federal em Curitiba, que autorizou a Operação Carne Fraca.

O líder sindical também informou que o adiantamento salarial dos funcionários, que deveria ser depositado no último dia 20, está atrasado. “Nós vamos fazer as rescisões, para que os trabalhadores tenham acesso ao fundo de garantia e ao seguro-desemprego”, explicou.

Segundo o relatório da Polícia Federal, a Peccin é acusada de estocar carne em local sem refrigeração, usar carne em seus produtos em quantidade muito menor do que a descrita ao consumidor e falsificar notas de compra do produto. A empresa nega as irregularidades.

Nesta segunda-feira (27), a empresa já havia dado aviso prévio para 177 funcionários que trabalham na unidade da empresa em Jaraguá do Sul, no Norte de Santa Catarina.

A empresa não se manifestou sobre as demissões. Fundada em 2007, em Curitiba, a Peccin produzia 150 toneladas diárias de derivados de frango, porco e embutidos em geral, através das marcas Peccin e Itali Alimentos.

Outras demissões
Na última quarta-feira (22), os frigoríficos Souza Ramos e Master Carnes, ambos de Colombo, e citados na Operação Carne Fraca, também encerraram as atividades por problemas financeiros. Cerca de 300 empregos diretos foram encerrados.

A investigação da Polícia Federal colocou 21 frigoríficos do país – 19 deles do Paraná — em suspeição por irregularidades que vão da comercialização de produtos vencidos até corrupção. Batizada de Carne Fraca, a operação relevou um esquema de corrupção envolvendo fiscais agropecuários.

Fonte: Gazeta do Povo, 28 de março de 2017.

http://www.gazetadopovo.com.br/agronegocio/mercado/frigorifico-citado-na-carne-fraca-demite-todos-os-funcionarios-cf9ji8svqlbto0h0hdvxsqo84