“Na visão dos cientistas, a iniciativa do passaporte da vacina é uma política pública para a proteção coletiva e estímulo da vacinação”, aponta a entidade

Por: Gabriel Valery

Brasil tem uma baixa taxa de pessoas com imunização completa, 38,16%, atrás de países como Uruguai, Equador, Argentina e Chile

São Paulo – Baseada na situação atual da pandemia de covid-19 no Brasil, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) fez hoje (17) uma série de recomendações ao país. Entre elas, destaque para a necessidade de manter a cautela e rever o fim das medidas de distanciamento social. A entidade também faz uma defesa do passaporte de vacinação, um documento comprovando que a pessoa tomou vacinas para poder entrar em certos ambientes, especialmente os que contenham aglomerações.

“Na visão dos cientistas, a iniciativa é uma política pública para a proteção coletiva e estímulo da vacinação”, afirma a Fiocruz. O passaporte também funcionaria como uma “busca ativa” para pessoas com a segunda dose em atraso. “Quatro em cada dez cidades brasileiras apresentam dificuldades em completar o esquema vacinal da população pelo não comparecimento na data definida nos postos de saúde para a aplicação da segunda dose”, argumentam. Em todo o país, ao menos 8,5 milhões de pessoas estão com o esquema vacinal incompleto.

O Brasil tem uma baixa taxa de pessoas com imunização completa, 38,16%, atrás de países como Uruguai, Equador, Argentina e Chile. A Fiocruz recomenda uma suspensão mais adequada de medidas de segurança com mais de 70% da população totalmente vacinada. Tomaram a primeira dose 71,8%. Escassez de vacinas para a segunda dose impacta negativamente neste cenário. Além disso, o presidente Jair Bolsonaro, vem pressionando o Ministério da Saúde para frear a vacinação entre jovens. A visão anticientífica atende a seguidores radicalizados que consomem teorias conspiratórias e mentirosas sobre a segurança dos imunizantes.

Reabertura sem critério
“Os cientistas ressaltam que o patamar de cobertura razoável para conseguir bloquear a circulação do vírus é de pelo menos 70% de pessoas com esquema vacinal completo. O Brasil ainda está longe do que temos hoje. Isto significa dizer que outras medidas de mitigação ainda possuem absoluta importância”, afirma. A circulação de variantes de preocupação, em especial a delta, que já representa mais de 90% dos casos de São Paulo, agrava a situação. Com o vírus circulando livremente, inclusive, aumentam as chances de novas mutações.

Em razão da má gestão da pandemia, o Brasil é visto – com estudos comprovando – como “celeiro” de variantes no mundo. Além da atuação do governo Bolsonaro como “aliado” do vírus, estados e municípios suspenderam com velocidade inadequada as frágeis medidas de isolamento que vigoraram ao longo do surto. “A circulação da variante Delta é um agravante no cenário atual, principalmente porque, em alguns locais, o processo de reabertura se torna cada vez mais acelerado e menos criterioso”.

Melhora
Embora a pandemia não tenha acabado a Fiocruz pesa em seu último boletim informativo que o país vem registrando maior queda de mortes e casos desde o início do ano. “O número de casos e de óbitos sofreu a maior queda desde o início de 2021. São agora 12 semanas consecutivas de diminuição do número de mortes, com redução de 3,8% ao dia na última. O total de casos também apresenta tendência de redução, mas com oscilações ao longo das últimas, 12 semanas epidemiológica. Foi registrada uma média de 15,9 mil casos e 460 óbitos diários na semana de 5 a 11 de setembro”, afirmam.

Contudo a entidade considera os “níveis ainda altos e que geram preocupação diante da manutenção da positividade dos testes”. Alguns estados apresentam situação mais dramática. Em especial o Rio de Janeiro, que tem a única capital do país com ocupação de leitos acima de 80% (82%). “Apesar da análise das Síndromes Respiratórias Agudas Graves (SRAG), realizada pelo InfoGripe/Fiocruz, indicar tendência de melhora no quadro geral do país, o estudo chama atenção para a avaliação de média móvel das últimas semanas, que mostra que os estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Goiás e o Distrito Federal ainda estão com taxas acima de 5 casos por 100 mil habitantes − considerada muito alta”.

Balanço
O balanço de hoje da covid-19 no Brasil dfoi divulgado de forma incompleta pelo Conselho Nacional dos Secretários de Saúde (Conass). Não foram computados, por atraso no envio, dados das últimas 24 horas dos dois estados com mais mortos no Brasil, Rio de Janeiro e São Paulo. Roraima também não enviou relatório. Considerada a ausência destes dados, o país registrou 333 mortes, totalizando 589.573. Já os casos no período somam 11.202. Com o acréscimo, o país chegou a 21.080.219 infectados desde o início do surto, em março de 2020.

Fonte: Rede Brasil Atual, 18 de setembro de 2021.

https://www.redebrasilatual.com.br/saude-e-ciencia/2021/09/fiocruz-defende-passaporte-da-vacina-e-manter-distanciamento-social/