“Torna-se imprescindível o engajamento da sociedade civil organizada das organizações sociais para uma forte reação à agenda de desmonte do Estado brasileiro. Estamos conscientes  de que a agenda política em curso trará prejuízos incalculáveis, sobretudo, para todos aqueles que dependem de serviços públicos essenciais para a própria subsistência. Justamente a camada da população que, proporcionalmente, é a que paga a maior parcela de uma carga tributária perversa na relação custo/beneficio, circunstância que assegura um nível de desigualdade social injustificável para um país rico em recursos e de dimensões continentais como o Brasil”, alertou diretor de Finanças da NCST e presidente da CSPB, João Domingos Gomes dos Santos.

João relatou seu encontro, em 2016, com o papa Francisco; ocasião que, de acordo com o líder sindical, foi apresentada  proposta para a visibilidade de um novo modelo de desenvolvimento: o Estado Democrático e Social de Direito. Domingos  descreveu a disposição do líder máximo da Igreja Católica em apoiar a iniciativa, em coerência com os discursos e a condução política do pontífice. O secretário-geral da CNBB informou que os encaminhamentos da entidade levam, até a deliberação final, um período mais lento do que ocorre em organizações sindicais. No entanto, o bispo Leonardo Ulrich prometeu empenho para a consolidação do apoio, tendo em vista a compreensão dos nocivos impactos sociais da chamada “reforma”. O líder religioso deu sugestões, diante de experiências pregressas da CNBB, para que as lideranças sindicais possam atingir sucesso na empreitada. 

“Os meios de comunicação propagam a importância da geração de empregos, sem reforçar que a reforma trará como consequência a precarização das relações de trabalho em prejuízo da parte mais vulnerável: os trabalhadores. Precisamos elaborar um documento autoexplicativo, que não exija nenhum esforço de esclarecimento junto aos coletores das assinaturas.

Precisamos ousar! Nós estamos em um momento em que está em cheque a própria democracia. Não podemos permitir que a política caia em descrédito. É o único caminho em que injustiças intrínsecas ao sistema podem ser reparadas. Ao abdicar da política, abrimos espaço para o totalitarismo, o fascismo e todas as demais, experiências que resultaram em tragédias humanitárias, reforçou o bispo. Calixto, interlocutor das lideranças sindicais no encontro, reforçou que, ao atacar as fontes de custeio das entidades sindicais, se ataca também a renda de milhares de trabalhadores contratados por estas entidades, agravando, ainda mais a crise e o desemprego no país.

Outros interventores acrescentaram os dramáticos impactos sociais à partir da aplicação da nova legislação laboral, corroborando com o discurso de Calixto. E recordaram a declaração do papa Francisco que, ao reforçar o discurso:  “nenhum trabalhador sem direito, nenhum cidadão sem teto e nenhum camponês sem terra”, assume o compromisso histórico da Igreja em favor e em defesa das camadas sociais mais vulneráveis da população”. 

Ao final do encontro, o bispo Leonardo Ulrich Steiner informou que, em setembro, terá um encontro com o papa Francisco; ocasião em que fará o convite ao pontífice para participar de reunião na Organização Internacional do Trabalho (OIT) com a finalidade de dar encaminhamento ao pleito que for acordado entre CNBB e as entidades sindicais brasileiras. 

Fonte: Mundo Sindical, 01 de setembro de 2017

http://www.mundosindical.com.br/Noticias/29864,-Entidades-sindicais-e-CNBB-se-unem-na-luta-pela-revogacao-da-%22reforma%22-trabalhista