Investigações da Operação Carne Fraca começaram a partir de denúncias de fiscal do Ministério da Agricultura envolvendo a Peccin Agroindustrial

Por: Fernando Martins – 17/03/17 – 11h56
 
A Operação Carne Fraca começou a partir de denúncias do fiscal agropecuário Daniel Gouvêa Teixeira envolvendo o suposto conluio de agentes sanitários do Ministério da Agricultura com uma indústria de processamento de alimentos de Curitiba, a Peccin Agroindustrial Ltda. – que tem sede no bairro do Umbará. As investigações indicam que, em troca de propina, os fiscais que participavam do suposto esquema faziam vista grossa a diversas irregularidades – que incluíam até mesmo a utilização de carne podre na fabricação e salsichas e linguiças e a adição de substâncias cancerígenas para “maquiar” que a matéria-prima estava estragada.

Teixeira relatou à Polícia Federal (PF) que foi afastado de suas funções por sua superiora no mesmo dia em que determinou a suspensão das atividades da Peccin, numa fiscalização de 2014. O fiscal havia determinado o fechamento da Peccin após constatar que a empresa estava usando subprodutos do abate de frango em substituição à carne bovina na fabricação de diversos produtos. O objetivo seria aumentar os lucros da empresa.

Segundo o despacho do juiz Marcos Josegrei da Silva, que autorizou a operação na PF, as investigações confirmaram as irregularidades e descobriram outras a partir de materiais fornecidos por Teixeira e depoimentos de três ex-funcionárias da Peccin.

Ácido ascórbico
Uma ex-auxiliar de inspeção, denunciou a “maquiagem” de carnes estragadas por meio da adição de ácido ascórbico – substância cancerígena. Uma médica veterinária que também foi funcionária da Peccin relatou ter visto a entrada de carregamentos de carne estragada na Peccin. Uma assistente dessa veterinária confirmou o relato de que substâncias ilegais eram adicionadas à carne para esconder que ela estava podre.

A Peccin também é acusada de estocar carne em local sem refrigeração, usar carne em seus produtos em quantidade muito menor do que a descrita ao consumidor e falsificar notas de compra do produto.

A partir dos relatos iniciais do fiscal Daniel Gouvêa Teixeira, a PF começou a investigar outras empresas suspeitas de participar do suposto esquema de corrupção.

Outro lado
A Gazeta do Povo ligou para a Peccin e buscou falar com a diretoria da empresa na manhã desta sexta-feira (17). Mas ninguém atendeu às ligações.

Fonte: Gazeta do Povo, 17 de março de 2017.

http://www.gazetadopovo.com.br/vida-publica/empresa-de-curitiba-e-acusada-de-maquiar-carne-podre-com-produto-cancerigeno-5qhp4c4n3mxvl4v8ger6x1qjv