27/01/17 – 13h38

Os recentes registros de influenza aviária no mundo estão mexendo com o setor de avicultura. Segundo comunicado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a entidade já foi procurada por países que deixaram de comprar carne de frango de mercados onde houve casos da doença para saber se o Brasil tem condições de suprir a demanda. Dados da entidade dão conta que cerca de 600 mil toneladas devem deixar de ser compradas neste ano de nações que notificaram o registro da influenza aviária.

“O Brasil, conservando a sanidade, tem grande chance de capturar boa parte dessa quantidade. Em 60 dias, temos condições de nos rearticular para atender parte da nova demanda”, disse o presidente da ABPA, Francisco Turra, nesta quarta-feira (26/01).

O governo chileno informou que a influenza aviária registrada seria a de baixa patogenicidade. No entanto, o representante da associação voltou a alertar que o avicultor brasileiro não pode baixar a guarda. Pelo contrário, precisa reforçar todos os controles sanitários na sua produção para afastar qualquer risco. A primeira medida é proibir a entrada de pessoas estranhas nos aviários ou mesmo que tenham vindo de viagem.

A influenza aviária tem disseminação muito rápida em lotes de aves, afetando múltiplos órgãos e apresentando alta mortalidade, conforme informações do Ministério da Agricultura. Além das mortes, animais nas proximidades do foco precisam ser sacrificados. De acordo com Turra, o Chile abateu preventivamente 150 mil perus. Depois de realizar novo teste e confirmar a doença, determinou o abate sanitário de mais 200 mil aves, que precisam ser descartadas.

O Brasil é líder mundial em exportação de frango desde 2005 porque houve registro de doenças em países e essas nações se viram obrigadas a deixar de vender. O cenário pode voltar a ser favorável para o Brasil. Porém, o avicultor não pode descuidar dos controles em sua propriedade.

“O Brasil, com esse status sanitário, é uma referência no mundo. Material genético, por exemplo, incrementamos muito a venda, incluindo ovos férteis. E há muita procura de países que jamais se imaginou, como a Rússia e o Egito. Não é só frango que vamos exportar, mas material genético. E o Rio Grande do Sul, que é um grande produtor, tem de se desdobrar para tomar cuidado, porque grande parte do comércio do Chile passa aqui pelo Estado, incluindo o fluxo turístico” enfatizou o presidente-executivo durante evento gaúcho.

O executivo enfatizou que sem o registro da doença, o Brasil ganha duas vezes: não perde a sua produção e ainda conquista espaço no mercado internacional deixado por países que registraram a doença. “A carne de frango brasileira está presente em 69% dos países europeus e 100% do Oriente Médio. Não dá para perder esse mercado” destacou.

Na próxima semana irá ao Uruguai para mostrar os cuidados sanitários adotados no Brasil e que possam ser replicados no país vizinho.

Fonte: Avicultura Industrial, 27 de janeiro de 2017.

http://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/cerca-de-600-mil-t-devem-deixar-de-ser-compradas-dos-paises-que-notificaram-ia/20170127-134632-V816