Ser chefe, Experiência conta para abrir uma empresa

A aposentadoria pode ser o momento também de colocar em prática o plano de ser o chefe de sua própria empresa. Porém, realizar o projeto de criar o negócio requer uma série de cuidados.

Para Carlos Contar, da Business Partner, ao chegar à aposentadoria, o profissional que não quer mais trabalhar na empresa em que atuava pode se valer de sua experiência. “Há uma mudança na carreira profissional, porque o aposentado acaba já tendo uma estabilização financeira e profissional. Ao se retirar do mercado ele pode se reencontrar com projetos de cunho pessoal, como consultoria de empresas ou empreendedorismo”, exemplifica.

De acordo com consultor do Sebrae-PR Paulo Tadeu Graciano, a idade não deve ser vista como um impeditivo: o que deve ser considerada é a sua paixão pela área. “Muitas pessoas que estão se aposentando demandam consultorias do Sebrae. O que a gente recomenda é que o profissional olhe para o seu perfil, saiba o que gosta. Se a área que ele trabalhou por um longo período é sua paixão, isso já é um pré-requisito para seu negócio dar certo”, explica.

O que os aposentados e futuros empreendedores precisam saber é que, enquanto na empresa há uma gama de profissionais para auxiliar no exercício de sua função, no seu próprio negócio eles terão de fazer um pouco de tudo, ao menos no início do projeto. “Por isso, é preciso analisar seu próprio perfil, ver suas competências e fazer pesquisa de mercado; esses são passos iniciais antes de abrir um negócio. Idade não é impeditivo, pelo contrário: vale a experiência na hora de pensar em um novo negócio”, ressalta Graciano.

De acordo com especialistas, a aposentadoria hoje não é sinônimo de tricô para as mulheres e xadrez para os homens. Com o aumento da expectativa de vida, mesmo que a aposentadoria chegue cedo, como no caso de Maria da Penha, ela é postergada em anos à frente. “A aposentadoria não é uma parada, ela marca uma nova etapa. Muitos continuam trabalhando e recebem o benefício, que foi um investimento compulsório. Aos 60 anos a pessoa tem ainda muito o que contribuir à sociedade”, explica Edmar Gualberto, diretor da ABRH-PR e consultor de recursos humanos.

Maria da Penha tem em mente que ainda é muito jovem para parar e colocou como meta continuar a trabalhar. “Hoje tenho 45 anos e pelos próximos 15 anos tenho certeza que eu vou continuar trabalhando. Come­­cei há pouco a investir em um plano de aposentadoria privada para complementar a renda”, ressalta.

Esse é um dos pontos que mais pesa na hora de um profissional que chega à idade de se aposentar escolher parar de trabalhar: o valor do benefício. “A maioria dos profissionais não para de trabalhar, geralmente porque a aposentadoria que é paga não cobre as despesas”, lembra Carla Virmond Mello, diretora da ACTA e da DBM.

A realização profissional é outro ponto que influencia a escolha, diz Carlos Contar, da Business Partners. “O profissional aposentado pode buscar realização profissional, porque tem tranquilidade para fazer escolhas.”

Opções vão de negócio próprio a consultoria

Se o profissional escolher continuar na ativa, é preciso identificar o que será feito quando a aposentadoria chegar. Ele pode permanecer trabalhando na mesma empresa, pensar em prestar serviço para corporações com perfis semelhantes ao daquela em que ele atuou ou abrir uma “empresa dos sonhos”. O importante é se planejar.

“Quando a pessoa está em vias de se aposentar, ela precisa se preparar para este momento. Em um trabalho é possível buscar mais prazer e menos desprazer, mas é preciso planejar essa fase”, explica Edmar Gualberto, diretor da ABRH-PR e consultor de Recursos Humanos.

É o que está fazendo Maria da Penha, que vai começar a receber aposentadoria no ano que vem, mas continuará na ativa: ela já sabe o que quer alcançar nos próximos anos. “Minha empresa me dá oportunidade de crescimento e tenho metas para estes próximos 15 anos: quero mais duas escaladas dentro da empresa, seja aqui ou em outro país, além de aprimorar o meu inglês. Não me dou por satisfeita e tenho muito a contribuir”, afirma.

Outra maneira de continuar trabalhando em áreas correlatas é prestar consultoria para a empresa em que se está atuando – com isso, não há a obrigatoriedade formal de estar na organização todos os dias. “O mercado está vendo estes profissionais com bons olhos, aproveitando-os como mentores ou conselheiros. Há ainda aqueles que estão montando seus próprios negócios, aqueles que perceberam que algo pode ser melhorado e agora querem oferecer esse serviço.

O profissional pode ficar atento àquilo que não estava funcionando muito bem em sua rotina e ver nisso uma oportunidade de negócio. Essas são boas opções porque ainda estão dentro da zona de conforto, não exige tanto risco”, ressalta Carla Virmond Mello, diretora da ACTA e da DBM.

Fonte da notícia: Gazeta do Povo, 02/11/2011