Confira os principais pontos que, segundo os relatos que vêm de Brasília, têm boas chances de aparecer no relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287:

Idade mínima – Regra geral
Ainda há chance de que as regras para mulheres sejam mais brandas – a idade mínima de aposentadoria pode ser dois ou três anos inferior à dos homens, por exemplo. Mas o relator tem reiterado que pretende manter a idade mínima em 65 anos para ambos os sexos.

Idade mínima – Exceções
A exigência de 65 anos não valerá para todos os trabalhadores. É provável que agricultores familiares, professores do ensino básico e policiais civis e federais possam se aposentar aos 60 anos.
Policiais militares, bombeiros e militares das Forças Armadas ficam de fora da reforma da Previdência. Novas regras para eles serão discutidas somente após a eventual aprovação da PEC 287.

Transição
A partir de 2038 a maioria dos trabalhadores vai se aposentar aos 65. Até lá, um regime de transição obrigará os brasileiros a trabalhar mais do que esperavam, mas podendo se aposentar antes dos 65.
Pelo texto original da reforma, homens a partir dos 50 anos e mulheres com 45 ou mais entrariam na regra de transição. Teriam de contribuir 50% além do que faltava pelas regras atuais – se estavam a quatro anos da aposentadoria, teriam de trabalhar mais dois, totalizando seis anos.

Agora, ganhou força a ideia de colocar no regime de transição todos os trabalhadores com 30 anos de idade ou mais, exigindo uma contribuição adicional mais baixa, de 30%.
A partir daí a regra fica mais confusa. O trabalhador terá de calcular em que ano terminará de pagar esse “pedágio” de 30% e então observar a idade mínima em vigor nessa data. É com essa idade que ele poderá se aposentar.
Na transição, a idade mínima para os segurados do INSS partirá de 55 anos para homens e 50 para mulheres. E será elevada a cada dois anos, chegando a 65 para ambos em 2038.
Para uma mulher que cumprir o tempo adicional em 2026, por exemplo, a idade mínima será de 56 anos. Se ela estiver com 55 nessa ocasião, terá de esperar mais um ano para se aposentar.
Para servidores, o mínimo deve partir da regra atual (55 anos para mulheres e 60 para homens). A dúvida é sobre quando os limites convergirão para 65 anos – se em 2038, como os segurados do INSS, ou antes.

Confira a tabela para os segurados do INSS:
Idade mínima de aposentadoria para quem cumprir o pedágio de 30% em…

Ano Mulher Homem
Até 2019 50 55
2020 e 2021 51,5 56
2022 e 2023 53 57
2024 e 2025 54,5 58
2026 e 2027 56 59
2028 e 2029 57,5 60
2030 e 2031 59 61
2032 e 2033 60,5 62
2034 e 2035 62 63
2036 e 2037 63,5 64


Pensões

O governo queria proibir o acúmulo de pensão por morte com aposentadoria, e permitir pensões inferiores a um salário mínimo – o benefício partiria de 50% da média salarial do segurado morto, mais uma cota de 10% por dependente. Mas é grande a chance de que a pensão não seja inferior a um salário mínimo, e que continue permitido o acúmulo de pensão e aposentadoria.

Benefício assistencial
A proposta original da reforma endurecia as regras do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Esse programa assistencial paga um salário mínimo a 4,4 milhões de brasileiros de baixa renda que tenham alguma deficiência ou mais de 65 anos.
O governo queria elevar essa idade para 70 anos e desvincular o benefício do salário mínimo. Mas é provável que as regras permaneçam as mesmas, embora exista pequena chance de que o requisito de idade seja elevado em menos de cinco anos.

Fonte: Gazeta do Povo, 17 de abril de 2017.

http://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/aposentadoria-aos-60-para-poucos-e-transicao-confusao-que-muda-na-reforma-cxz55lqqut2xf64pm2op5q9it