A conta leva em consideração dívidas com bancos públicos, como BNDES, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, investimentos feitos por fundos de pensão, além de débitos de impostos em dívida ativa.

Somente o BNDES investiu na J&S cerca de R$ 11,6 bilhões desde 2007. Em participação acionária adquirida pelo BNDES são R$ 2,6 bilhões, em valores corrigidos. Há ainda outros R$ 5,7 bilhões – também corrigidos – em debêntures convertidos em ações, além de R$ 3,1 bilhões em empréstimos feitos a Eldorado – empresa de celulose do grupo – e outros R$ 121 milhões em empréstimo para a Vigor Alimentos – ambas controladas pela holding. Como não é possível ter acesso ao contrato de empréstimo para se ter ideia das condições de pagamento, o valor pode sofrer alterações.

Na Caixa Econômica é R$ 2,7 bilhões em empréstimos para a J&F comprar a Alpargatas no final de 2015. Além disso, o banco emitiu debêntures de R$ 500 milhões em dezembro de 2012 para a J&S. Através do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS) foram emitidos R$ 1,2 bilhão em debêntures para a Eldorado no final de 2012.

Os fundos de pensão Petros – da Petrobras – e Funcef – da Caixa Econômica – também investiram na Florestal, em 2009, através do FIP Florestal. Os dois fundos investiram R$ 275 milhões cada na empresa, que mais tarde foi incorporada a Eldorado.

Dívida ativa
De acordo com dados da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), a J&S tem ainda uma dívida ativa de R$ 124,8 milhões. A holding também está em segundo lugar no ranking dos maiores devedores da Previdência Social, com uma dívida de R$ 1,8 bilhão. A empresa contesta a cobrança na Justiça, alegando que se propôs a pagar as dívidas com créditos da Receita Federal, que demora em ressarcir os créditos que possibilitariam o pagamento.

Os executivos da empresa, que firmaram acordo de colaboração, receberam o perdão judicial em troca das provas entregues à PGR que implicam o presidente Michel Temer (PMDB), seu ex-assessor especial Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR), e o senador Aécio Neves (PSDB-MG), além de pessoas ligadas aos políticos.

A colaboração culminou na deflagração da Operação Patmos, no dia 18 de maio, que levou à prisão a irmã e um primo do senador Aécio Neves. O senador, assim como Rocha Loures, tem um pedido de prisão feito pela PGR para ser analisado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Ainda no STF, o ministro Edson Fachin autorizou a abertura de um inquérito para investigar supostos crimes praticados pelo presidente Temer.

Fonte: Gazeta do Povo, 30 de maio de 2017.

http://www.gazetadopovo.com.br/politica/republica/apos-anos-de-farra-com-o-dinheiro-publico-controladora-da-jbs-deve-r-91-para-cada-brasileiro-3y15hn29crhg6e516l38dhlf1