Num dos pedidos de investigação Aécio e o senador tucano Antonio Anastasia, seu aliado, são suspeitos de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

A abertura dos inquéritos não implica culpa dos investigados. A partir da decisão, os investigadores e os advogados apresentam provas para determinar se há indício de autoria do crime ou não.

Depois disso, o Ministério Público decide se apresenta uma denúncia ou pede o arquivamento do inquérito. Se a denúncia for apresentada e aceita pelo Supremo, o investigado se torna réu e passa a ser julgado pelo tribunal.

Os delatores da Odebrecht afirmaram que pagaram R$ 5,4 milhões em “vantagens indevidas” para a campanha de Anastasia ao governo de Minas, em 2010, a pedido de Aécio.

Os colaboradores disseram que a Odebrecht desembolsou R$ 1,8 milhão, em 2009, para a campanha de Anastasia. O repasse atendeu um pedido de Aécio.

A procuradoria também pediu investigação sobre Oswaldo Borges, ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), estatal responsável pela construção da Cidade Administrativa, e Paulo Vasconcelos, marqueteiro responsável pelas campanhas dos tucanos mineiros.

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, também solicitou a abertura de inquérito para investigar supostas condutas de Aécio e do deputado federal Dimas Fabiano Toledo Júnior (PSDB-MG).
Os delatores disseram que, em 2014, pagaram, a pedido de Aécio, caixa dois para a campanha dele e de vários outros parlamentares, como Anastasia, o próprio Dimas e o ex-ministro Pimenta da Veiga, candidato derrotado ao governo de Minas naquele ano.

O procurador apontou nesses casos suspeitas de corrupção passiva, ativa e lavagem de dinheiro.
Um terceiro pedido de investigação foi feito por conta de outros repasses eleitorais em 2014. Segundo os delatores, Aécio requereu naquele ano vantagens indevidas para si e aliados.

Um quarto inquérito foi aberto para apurar indícios de corrupção, formação de cartel e fraude a licitações na construção da Cidade Administrativa, nova sede do governo mineiro, construída na gestão de Aécio.

O procurador-geral justificou que os delatores relataram, apresentando prova documental, que o tucano, recém-empossado para o segundo mandato como governador, organizou em 2007 esquema para fraudar processos licitatórios, mediante organização de um cartel de empreiteiras, na construção do complexo, que custou cerca de R$ 2 bilhões.

O objetivo seria obter “propinas” decorrentes dos pagamentos das obras.

O quinto pedido de inquérito se refere ao pagamento de suborno para que Aécio favorecesse interesses da Odebrecht, em conluio com a Andrade Gutierrez, nas obras das usinas do Rio Madeira, Santo Antônio e Jirau.

Os delatores relataram a promessa e o pagamento de vantagens indevidas em benefício do senador e do PSDB.

Valladares contou que a empreiteira pagava prestações de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, repassados pelo Setor de Operações Estruturadas, o departamento de propinas do grupo, para “Mineirinho”, codinome atribuído a Aécio.

Marcelo Odebrecht disse que Aécio tinha forte influência na área energética, pois o governo mineiro controlava a Cemig, uma das sócias de Santo Antônio. Por isso, segundo ele, o grupo concordou com os pagamentos.

Janot sustenta em seu pedido haver indícios de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro, no caso.

OUTRO LADO
A assessoria do senador Aécio Neves disse, em nota, que “considera importante o fim do sigilo sobre o conteúdo das delações, iniciativa solicitada por ele ao ministro Edson Fachin na semana passada, e considera que assim será possível desmascarar as mentiras e demonstrar a absoluta correção de sua conduta”.

Fonte: Folha de São Paulo, 11 de abril de 2017.

http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/04/1874703-fachin-determina-abertura-de-cinco-inqueritos-para-investigar-aecio.shtml